Mudanças para o futuro

Mudanças para o futuro

Construção de barragens e mais bocas de lobo, além de manutenção, limpeza, levantamento de dados e informações que devem passar por avaliação técnica e estudos.

CORREIO DO ESTADO, 26/08/19 – pg 16

Todas as ações são parte de um projeto inovador, realizado por pesquisadores, professores e alunos da área de engenharia. A intenção é criar um novo índice de qualidade urbana, para definir estratégias e acabar de vez com as enchentes na cidade.

O desenvolvimento de um índice inédito para calcular a qualidade urbana das regiões de Campo Grande une pesquisadores e acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O trabalho inovador deve apontar soluções para um problema antigo: as enchentes, provocadas também por conta das chuvas – geralmente no período entre setembro e março –, causando estragos em diferentes regiões da cidade.

Na prática, o grupo – intitulado Rede de Pesquisa em Qualidade e Drenagem de Bacias Urbanas (Redurb) – vai avaliar diversos fatores, como urbanização e capacidade de escoamento da água e também do volume recebido pelos córregos. Após o cruzamento das informações com dados do Plano Diretor, além do específico de drenagem urbana e ainda da Carta Geotécnica – que contém informações do solo –, os especialistas esperam conseguir elaborar o índice.

“Será fundamentado no Plano Diretor, porém, analisando os pontos de conflito, as áreas permeáveis, que podem ser praças, campos de futebol. É um estudo novo para nós também. Mas queremos identificar o que precisa mudar, melhorar, a fim de evitar as enchentes. Ainda não sabemos o que podemos encontrar, pode ser que a estrutura existente de drenagem já seja suficiente, sendo necessárias apenas adequações das áreas de infiltração”, explicou Fábio Veríssimo Gonçalves, engenheiro civil, doutor em Hidráulica e professor da UFMS.

O grupo de estudo, que tem aproximadamente 30 integrantes, fez a primeira visita na Avenida Nelly Martins – conhecida como Via Parque –, próximo ao Parque do Sóter, no dia 13 de agosto. O trabalho teve início agora, mas terá reflexo em toda a estrutura da cidade para os próximos anos. “Vamos juntar informações, entender, interpretar. E, a partir daí, estabelecer indicadores e planejar as ações para execução das intervenções necessárias. A intenção é envolver tanto a iniciativa pública quanto a privada”, explicou a engenheira civil Synara Olendzki Broch, também professora da UFMS, doutora em Desenvolvimento Sustentável e vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH).

O estudo teve início pelas mãos de dois acadêmicos, que inscreveram projetos de pesquisa em seguida aprovados para execução. Luiz Guilherme Maiolino, 22 anos, está no quinto ano do curso de Engenharia Civil da UFMS e se interessou pela área de estudo de drenagem por ser testemunha, na adolescência, dos episódios de enchentes na região da Avenida Nelly Martins e também da Avenida Afonso Pena.

“Eu moro próximo dessa área da cidade. E há alguns anos fiquei ilhado com a minha família; pessoas que eu conheço já tiveram problemas por estarem nas ruas tomadas pela água no momento da chuva. É algo que me impressionava e incomodava. Por isso, quando tive a oportunidade de propor mudanças, eu decidi fazer. Ainda não sabemos se o estudo vai resolver a questão, mas pode ajudar”.

A contenção da erosão do Córrego Gameleira, na região das Moreninhas, e a implantação de barragens de contenção no Parque
das Nações Indígenas são as próximas obras da Prefeitura de Campo Grande para melhorar a drenagem urbana. A resolução do
problema das frequentes inundações nas bacias dos córregos Segredo (rotatória das avenidas Ernesto Geisel com Euler de Azevedo e Rachid Neder) e Imbirussu (na Avenida José Barbosa Rodrigues) ficarão para os próximos anos.

CORREIO DO ESTADO, 26/08/19 – pg 17

Pesquisa para soluções

Resolver de forma definitiva os problemas de enchentes nas principais vias da cidade é a nova missão do grupo formado por especialistas nas áreas de engenharia e hidrologia. Com apoio técnico, estudo pode resultar em dados que apontem o caminho

Parte importante do processo de análise de dados para encontrar e colocar em prática soluções para os problemas de drenagem da Capital são os testes feitos no Laboratório de Eficiência Energética e Hidráulica em Saneamento (Lenhs), onde há simulação do escoamento da água, e no Laboratório de Qualidade Ambiental (Laqua), para análises de qualidade da água. “O objetivo é mostrar possíveis soluções para o problema e as consequências em se adotar cada uma das ações”, explica Leandro Martins, engenheiro ambiental e doutor em Hidráulica e Saneamento.

O trabalho inicial será feito na Bacia do Prosa, com possível expansão para os demais cursos d’água da cidade. Os especialistas dizem que as enchentes são basicamente causadas por situações em dois córregos, o Prosa – que nasce no Parque dos Poderes, corre pelas avenidas Ricardo Brandão e Fernando Corrêa da Costa até a Ernesto Geisel – e o Segredo, que por sua vez passa pela Avenida Ernesto Geisel onde recebe a água de outros córregos até ambos se encontrarem.

“Campo Grande está despreparada, é necessário um financiamento específico para drenagem. E assim conseguir resolver de forma exata e mais rápida.

Precisa ter recurso contínuo para solucionar o problema. Além disso, também devem haver ações de manutenção e mais bocas de lobo. A água traz muitos resíduos que obstruem os bueiros por isso a limpeza é fundamental. Existem soluções, com certeza, e o município de fato começou a executar mais obras neste sentido. As obras que já realizadas, se não tivessem sido feitas as enchentes seriam muito piores”, disse Gonçalves.

Plano

A contenção da erosão do Córrego Gameleira, na região das Moreninhas, e a implantação de barragens de contenção no Parque das Nações Indígenas, são as próximas obras da Prefeitura de Campo Grande para melhorar a drenagem urbana. A resolução do problema das frequentes inundações nas bacias dos córregos Segredo (na rotatória das avenidas Ernesto Geisel com a Euler de Azevedo e Rachid Neder) e Imbirussu (Avenida José Barbosa Rodrigues) ficarão para os próximos anos.

Obras em andamento, como por exemplo, a de contenção de parte da erosão da Avenida Ernesto Geisel também estão no plano. Atualmente, são investidos R$ 48,4 milhões no local, em três frentes, para refazer a margem do Rio Anhanduí, reconstruir o sistema de drenagem do local, acabar com a erosão, e ainda requalificar a via pública que margeia o curso d’água.

Outra obra concluída no ano passado, a instalação de uma piscina subterrânea de contenção da enxurrada em frente ao Shopping Campo Grande, também fez parte do plano. O investimento no local foi de R$ 1,2 milhão, e foi bancado pelas incorporadoras responsáveis por obras no terreno do shopping, na forma compensação do impacto de vizinhança provocado pela construção de duas torres comerciais.

Quanto aos córregos Segredo e Imbirussu, que alagam com frequência a cada temporal, estão previstos somente estudos para implantação de barragens. Estas estruturas estão previstas no plano de drenagem da década passada. O novo Plano Diretor de
Drenagem Urbana de Campo Grande, apresentado no início de maio, dedica ações específicas para o Córrego Prosa e em seus dois afluentes, os córregos Joaquim Português e Revellión.

Os trabalhos serão realizados dentro de duas áreas administradas pelo governo do Estado, o Parque das Nações Indígenas onde ocorre o desassoreamento do lago – e o Parque Estadual das Nascentes do Prosa.

Para o córrego Joaquim Português, serão realizados estudo de controle de impacto. E no Córrego Revellión, está prevista para 2020 a conclusão de uma bacia de detenção. A expectativa é que a estrutura impeça que sedimentos das chuvas que caem em bairros como Carandá Bosque e Jardim Veraneio cheguem ao Córrego Prosa, e contribuam para o assoreamento do lago do Parque das Nações. (NY).

(Correio do Estado, 26/08/2019)