Município de Glória na Bahia promove celebração em defesa do rio São Francisco e data é marcada por avanços importantes

Município de Glória na Bahia promove celebração em defesa do rio São Francisco e data é marcada por avanços importantes

O município de Glória (BA) abraçou o Velho Chico durante o Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco. Crianças, adolescentes, adultos, gente de todas as idades viraram Carranca para defender o Velho Chico, na última sexta-feira (03) e sábado (04), durante a nona edição da campanha que mobiliza toda a Bacia pelas águas do rio da integração nacional.


As atividades na cidade começaram cedo, com um café da manhã às margens do rio São Francisco, na orla da cidade, no Balneário Cantos das Águas. Na abertura oficial, autoridades fizeram seus pronunciamentos, que enfatizaram os problemas vivenciados pelo rio São Francisco, pelos ribeirinhos e sobre a necessidade urgente de viabilizar soluções definitivas. Seguindo pelos eventos culturais, a campanha, que trouxe como tema central a multiplicidade que é o Velho Chico, abriu espaço para que os povos originários apresentassem toda sua força e tradição. As comunidades indígenas Tuxá, de Rodelas, e Pankararé, de Glória, realizaram os rituais sagrados do Toré e Praiá, símbolos de resistência e união entre os povos.

O coral da CHESF e os estudantes da rede pública também se apresentaram homenageando o Velho Chico. A programação incluiu a distribuição de mudas de árvores nativas e a ação de peixamento, liberando nas margens do rio 20 mil alevinos que irão ajudar no povoamento do rio. O prefeito de Glória, David Cavalcanti, lembrou que a região é fortemente impactada pela poluição, o que tem gerado ao longo dos últimos anos, prejuízos que ultrapassam a casa dos milhões. “O rio vem sofrendo, e cada um de nós tem que fazer sua parte, investir para que tenhamos um meio ambiente saudável. O Comitê da Bacia do São Francisco é esse instrumento, é canal de riqueza de informação e, por isso, é muito importante termos esse evento na nossa cidade, pois reforça a mensagem de levar a sério as questões do São Francisco. Se cada um não souber fazer uso das águas, vamos acabar tendo um rio morto. Precisamos usar dessa riqueza de modo consciente”, afirmou o prefeito.

A cidade de Glória tem 85% da sua população vivendo na área rural, dependendo diretamente do Rio São Francisco para os mais diversos usos, o que significa que as políticas ambientais são ainda mais importantes no quesito qualidade. Com isso, a campanha Eu viro carranca para defender o Velho Chico também foi palco para outro avanço. Na ocasião, após aprovado pela Câmara de Vereadores, o Plano Municipal de Saneamento Básico, financiado pelo CBHSF e entregue no mês de fevereiro deste ano, foi sancionado pelo gestor municipal, instituindo o instrumento como lei municipal, através da Lei 620/2022.

Após elaboração do PMSB, os municípios beneficiados com o plano devem encaminhar o documento às suas respectivas Câmaras de Vereadores para que seja validado em formato de lei municipal.

Palestras e Oficinas

Como forma de levantar o debate sobre a importância da Bacia do São Francisco, ainda foram realizadas as palestras “Água: Direito Humano Fundamental”, pela advogada Roberta Casali e “Água como sujeito de Direito”, pela promotora do Ministério Público da Bahia, Luciana Khoury. “Estamos realizando atividades com o Comitê da Bacia do São Francisco reforçando essa data, que é o 03 de junho, Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco. Falar sobre isso é envolver em uma grande mobilização diversos atores sociais, poder público, sociedade civil, comunidades tradicionais, tornando um marco na região para evidenciar os problemas que a bacia vem sofrendo. Então os debates são importantes, a valorização dos povos tradicionais e, claro, nos leva a valorização da água, nosso grande bem”, afirmou a promotora Luciana Khoury.

As palestras, abertas ao público, aconteceram no auditório da Faculdade Unirios. Já nas cidades de Rodelas e Abaré, também na Bahia, a poucos quilômetros de Glória, as etnias indígenas Tuxá e Tuxí participaram, na manhã do sábado, das oficinas Arqueologia e Relações Humanas: do vestígio ao pertencimento, ministrada pelos palestrantes Cleonice Vergne e Salomão Vergne; Conhecendo a “identidade científica” dos peixes do rio São Francisco, pelos professores Ruy Albuquerque Tenório e Fátima Lúcia de Brito dos Santos; Educação e Rio São Francisco: como proteger o nosso “Velho Chico”, dada por Eloy Lago e Vanessa de Castro, e Resíduos sólidos x preservação dos recursos hídricos: um grande desafio, por Victor Vidal.

“Levar as oficinas para as comunidades indígenas é uma forma de levar discussões importantes para os povos tradicionais, valorizando também seus saberes e essa será uma ação ainda mais constante do Comitê junto a eles”, afirmou o coordenador da Câmara Consultiva Regional do Submédio São Francisco, Cláudio Ademar.

Assinatura de termo de cooperação

Encerrando as atividades da nona edição da campanha Eu viro carranca para defender o Velho Chico, na noite do sábado, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e a Ordem dos Advogados do Brasil/Bahia, subseccional Paulo Afonso, assinaram um Termo de Cooperação Técnica que vai possibilitar ao Comitê um assessoramento especializado da OAB em questões inerentes à bacia.

“Com muita felicidade e honra, assinamos o termo de parceria entre a OAB Bahia e o Comitê da Bacia do São Francisco, um avanço para toda a população ribeirinha porque a partir desse momento a OAB, não só através da nossa Comissão de Defesa do rio São Francisco, mas também todas as comissões, inclusive a Procuradoria estarão em afinidade com o Comitê, prestando assessoramento quando for solicitado. Sem dúvida, um dia de festa”, pontuou o conselheiro estadual da OAB Bahia e presidente da comissão estadual especial de proteção ao rio São Francisco, José Gomes Filho.

O presidente do CBHSF, Maciel Oliveira, lembrou que este é um passo importante no sentido de atender às populações ribeirinhas. “Já temos parcerias estabelecidas com outras seccionais da OAB e agora chegou a vez do Estado da Bahia. A partir desse momento estaremos juntos no sentido de atender as comunidades da bacia com o aporte de uma importante instituição do nosso país”, completou.

Para o presidente da Seccional Paulo Afonso, Rodrigo Coppieters, a assinatura do termo deve, principalmente, contribuir com as condições do rio. “Esse é um momento único e estamos muito felizes em celebrar o acordo que reúne muita vontade de fazer algo em favor e melhorar as condições do nosso velho chico”, concluiu.

Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Juciana Cavalcante
*Fotos: Emerson Leite